O Início do caos

Tinha uma pedra no meio do caminho,
No meio do caminho tinha uma pedra,
Desde então, todos os não’s haveriam de ser meus,
Toda culpa haveria de ser minha,
Me pergunto vez ou outra,
Se não fosse a pedra no meio do caminho,
Quem haveria de ser eu?
Há uma certeza fixa,
Tornei-me a própria pedra em meu caminho.

Havia um lírio no meio do caminho,
No meio do caminho havia um lírio,
Contraste perfeito numa passagem de pedras,
Ainda que lindo, vestido de ouro e prada
Tão tóxico, incoerente, EU TE AMAVA TANTO…
Amava incondicionalmente um lírio, e você sabe que não gosto de lírios,
Ele era diferente,
Eliminava boa parte das pedras em meu caminho,
Compartilhava um fardo que sempre me fez sentir condenado,
Por alguns momentos pensei que a sentença seria a absolvição,
Mas sou o juiz, o júri, o réu, advogado, e na maioria das vezes, condenado.
“Nós dois sabemos que não está na moda me amar”.

Tinha uma pedra no meio do caminho
Ela se manteve em meu caminho
Tropecei, deparei com uma crosta de nenúfares azuis, os mais bonitos que pude enxergar em todo caminho, você sabe que nenúfares são os meus preferidos, contudo,
Não passavam de uma miragem colocada de forma vagabunda
Numa poça de água suja,
Desde então, todo amor partiu de mim, sem nem mesmo dizer adeus,
Todas as lágrimas haveriam de ser minhas,
Todos os dias, e são.

Queria lhe escrever uma poesia bonita
E estampar na mesma uma alegria ímpar,
“Quem me dera ao menos uma vez acreditar por um instante em tudo que existe”,
Acreditar que o mundo é perfeito,
E te fazer acreditar que todas as pessoas são felizes,
É setembro, meu bem, todo mundo se fez amarelo,
As pessoas resolveram falar sobre empatia,
Quem sou eu para lhe dizer que tudo não passa de teoria?

Esse não sou eu,
EXISTEM PEDRAS IRREMOVIVEIS,
desde que a pedra modificou todo o curso da historia, bem,
Eu percebo que não nasci para o amor,
Muito menos para me banhar num oceano de felicidade.
“Quando a perda é irreparável, nada pode trazer alguém de volta!”

Anúncios

Emendando um Soneto – Sosígenes Costa

Eu matei meu amor e foi bom que o matasse
Meu amor era um lírio e eu não gosto de lírio.
Se ele fosse a madona, eu talvez me casasse
Para o amor me adorar e eu gozar-lhe o delírio.

Eu matei meu amor sem beijá-lo na face.
Meu amor era um lírio e eu não gosto de lírio.
Se ele fosse o meu anjo, eu talvez me casasse
Para vê-lo fumando e descendo do empíreo.

Ninguém sabe quem foi meu amor que matei.
Era o anjo da morte?Era a filha de um rei?
Este crime é um mistério… e é bonito o mistério.

Este segredo azul pus num cofre sidério
Mas em suma eu fiz bem em matar meu amor,
Porquanto ele era um lírio e eu não sou beija-flor.

A porra da festa…

Provavelmente devo ter atrasado,

É impressionante como sempre atraso,

As luzes se apagaram quando bati na porta,

Nem sinal de festa, nem sinal de nada.

A verdade é que no fundo eu entendo que deveria ficar em casa,

Porque se o fracasso é certo,

Why even try?

“Você precisa aprender a ser forte”

Provavelmente, na verdade,

Com certeza,

Eu entendo, não te atendo com assiduidade,

Eu sou um fardo maior que os meus problemas,

Eu sou estranha pra caralho e às vezes tenho a impressão de que pessoas estranhas não herdarão o reino dos céus.

“Você precisa aprender a ser forte”

Desta vez não sou “a porra da festa”,

Desta vez, pretendia permanecer na festa,

Por vontade, por saber que algumas vezes deveria permanecer,

E é só,

Voltei para casa,

Com os olhos marejados,

E nada de truques, nada de artifícios,

Nada de ser forte e mentir para mim mesma.

Desta vez todos saberão que hoje não foi o meu melhor dia,

Desta vez todos perceberam que não é tão fácil recordar os motivos para ser forte,

A memória sempre falha no momento mais difícil,

“Porém você precisa aprender a ser

forte”.

É justamente quando me sinto desabar,

Todos os momentos em que estou só ,

Todas às vezes que ouço a voz da minha consciência,

Todas as vezes que tento.

Que Deus me perdoe se esquecer de orar,

E blasfemar dizendo não ser digna de participar da sua festa,

Quando na verdade, eu sei que a porta estaria aberta, e as luzes estariam acessas se eu o procurasse.

Eu sinto tudo de uma maneira peculiar,

Eu me vejo pelos olhos dos estranhos,

Dessa forma, esqueço todas as minhas motivações,

Os ombros de um estranho me lembram os pés calejados de uma pessoa que nunca viu um calçado,

Eu quero dizer,

Os ombros de um estranho carregam fardos tão pesados quanto eu,

Os ombros de um estranho estão a todo o momento aprendendo a ser forte,

E eu preciso aprender a ser forte.

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

“Você precisa aprender a ser forte”

Codinome Summer, Drica Neri.

Efeito borboleta

O tempo é cruel
Já pensava! Eu menino,
Sentado na janela de casa,
Em pleno céu, aos 8 anos.

Todos os minutos se foram,
Foram numa rapidez…
O tempo roubou tudo de mim,
Mas para onde o tempo levou tudo o que roubou?

Eu estive num sonho,
Correndo sob um mar de mortos,
Sim, eu andava sob as águas,
E era estranho ser menos denso que o mar…

Mas abaixo de mim estava
Tudo o que o tempo me roubou,
Eu duvidei, relutei,
E toda vez que relembrava,
Bem, minhas lembranças eram fardos tão pesados que me fizeram afundar,
Mais tarde, entendi que sou um fardo maior que as minhas lembranças.

Eu tive esperanças de encontrar
Aquele sonho de criança,
Aquele som perfeito que não cheguei em casa à tempo de registrar.

Eu tive esperanças de te reencontrar,
Que bobo eu sou, bobo pra caralho,
De pensar que o tempo te levou,
Quando na verdade você se deixou levar,
No mesmo dia em que prometeu ficar.

O tempo continua sendo cruel,
Roubando tudo de mim,
Deixando o pior que há,
Depositando fardos tão pesados que só me fazem afundar.

Eu também me deixo levar,
Eu estou aprendendo a me deixar levar,
E isso é mais cruel que o tempo,
Por que eu me tornei mais cruel que ele,
Eu me tornei o meu maior inimigo.

Mais uma vez fui idiota pra caralho,
Com aquela história de aprender a ser só,
Bem, agora eu preciso aprender a ficar,
E não me deixar levar,
Por que isso é cruel,
Eu estou me tornando mais cruel que ele,
Estou me tornando mais cruel que você.

Submersão

Daqui vejo tudo,
Até mesmo o que há de vir,
Minha visão não é turva,
Eu já não ouço a minha voz,
É quase tudo inaudível…

É um estado pleno
Entre o ficar e ir,
Ficar, submerso
Enquanto os pensamentos se diluem
Ao chegar à tona,
Enquanto me poupo de uma guerra interna,
Me poupe da sua também!

Daqui é quase tudo mais certo
Há a certeza de que o mar me rejeitará,
Mais cedo ou mais tarde,
(Mais tarde),
Há a certeza de que tudo é vão,
Tudo é vão e se vai,
Ao subir à tona.

Eu fico!
Debaixo do Sol tudo é em vão
Sentimentos são efêmeros
Efêmeras são as palavras,
A pressão te desfaz,
Não confie em ninguém.

Daqui de dentro o sol é pouco,
O mar abriga o que não lhe convém!
Talvez esse seja o segredo,
O mar também tem esse jeito de fazer tudo parecer romântico.

Daqui de dentro o sol é pouco
E as correntes me levam para qualquer lugar,
Mas junto às preces feitas sob o mar, e o lixo acumulado no mais profundo,
Devo me fragmentar, devo pedir a Deus para que o caos que há debaixo do Sol, não desague no fundo do mar.

“Mãe, minha depressão é como uma metamorfose…”

Este não é o tipo de vídeo que surpreende no quesito “número de visualizações“, o que é uma pena, visto que seu conteúdo é de extrema relevância… Ele dispensa qualquer coisa que eu queira falar…

Mãe, minha depressão é como uma metamorfose, em um dia ela tão pequena quanto um vagalume na pata de um urso, e no próximo dia, é o urso. E nesses eu me finjo de morta até que o urso me deixe sozinha. Eu chamo os dias ruins de “dias sombrios”.

Minha mãe me diz: “Tente acender velas.”

Quando eu velo uma vela eu vejo o brilho de uma igreja, a terminação de uma chama, as faíscas de uma memória mais jovem que o meio dia. Eu estou de pé, ao lado do seu caixão aberto. É nesse momento que eu percebo que cada pessoa que eu conheci irá algum dia me deixar. Além disso, mãe. Eu não estou com medo do escuro, talvez isso seja parte do problema.

Minha mãe me diz: “Acho que o problema é que você não consegue levantar dessa cama!”

Eu não consigo, a ansiedade me mantém refém dentro da minha própria casa, dentro da minha própria mente.

Minha mãe me diz: “Da onde a ansiedade vem?”

Ansiedade é o primo de fora da cidade fazendo uma visita, que a depressão se sentiu obrigada a levar para a festa. Mãe, eu sou a festa, só que eu sou uma festa que eu não quero ser, uma festa na qual eu não quero estar.

Minha mãe me diz: “Por que você não vai à uma festa de verdade ver seus amigos?”

Claro! Eu faço planos, eu faço planos mas eu não quero ir, eu faço planos porque sei que eu deveria querer ir, eu faço planos pois sei que algumas vezes gostaria de ter ido, é que simplesmente não é muito legal se divertir quando você não quer se divertir, mãe!

Sabe, mãe, toda noite a insônia me pega em seus braços e me larga na cozinha, no tênue brilho da luz do fogão. A insônia tem esse jeito romântico de fazer a lua parecer uma perfeita companhia.

Minha mãe me diz: “Tente contar ovelhas.”

Mas minha mente só consegue contar razões para continuar acordada. Então eu saio para caminhar, meus joelhos disfêmicos fazem “clack” como colheres de prata seguradas em braços fortes com pulsos frouxos. Eles tocaram minha cabeça como desajeitados sinos de igreja. Me lembrando que estou sonambulando em um oceano de felicidade no qual eu não posso me batizar.

Minha mãe diz que: “Ser feliz é uma decisão.”

Mas minha felicidade é mais oca do que um ovo furado por uma taxinha. Minha felicidade é como uma febre fervente, que a qualquer momento pode estourar.

Minha mãe me diz que: “Eu sou tão boa em fazer algo do nada.” E depois na cara dura me pergunta se eu não tenho medo de morrer. Não, eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo de viver. Mãe, eu sou sozinha. Acho que aprendi, quando o papai foi embora, a transformar a raiva em solidão, e a solidão em ocupação. Então quando eu te digo que tenho estado super ocupada, na verdade eu quero dizer que tenho caído no sono assistindo o jornal esportivo no sofa para evitar confrontar o espaço vazio na minha cama, mas sempre acabo sendo arrastada de volta para ela. Até que meus ossos sejam os fósseis esquecidos de uma cidade esquelética afundada e minha boca um cemitério de dentes quebrados de tanto morder a si mesmos. O auditório vazio de meu peito com esses ecos de batidas do coração. Mas eu sou apenas uma turista descuidada agora, eu nunca vou verdadeiramente sabem de todos os lugares em que estive.

Minha mãe ainda não entende. Mãe, voce não consegue perceber que eu também não?

Desconstrução

Eu não me vejo na palavra
Eu não me vejo nas entre linhas
Eu não me vejo em tanto lugar.

Acabo por tentar encontrar
Algum lugar para repousar
Eu que tanto me desencontro
Desconfiguro meu rosto, minha alma,
Aprenderei a encontrar minha face no espelho em que se perdeu?

Me resta criar um rosto simétrico,
Uma alma pura, um bom coração,
Tudo se perdeu na desconstrução,
A mais dolorosa que pude presenciar,
Silenciosa e constante,
Tão dolorosa quanto o último dia do céu de abril,
O mesmo dia em que você fez o melhor por mim, apenas por que foi o melhor para você.

Eu me vi a um tempo atrás,
No ponto de ônibus,
Na porta aberta,
Nos beijos,
Na falta,
Nas lágrimas,
Saudade,
Eu tive!
Não sei.
Nunca saberei, nem porquê precisei dizer adeus,
Nem porquê isso soa tão cruel.

Eu precisei partir, e correr atrás de mim
Eu me perdi totalmente, me dissolvi totalmente,
E não há nada que você saiba sobre o que há de novo aqui.

Não aprendi a esquecer,
Mas aprendi a ser só!
Foi uma grande vitória sobre mim,
Porém sou programado para lembrar,
E então eu lembro
Eu lembro de tudo,
Do sim,
Do não,
Eu lembro de tudo mesmo sendo uma nova versão de mim.