O silêncio

Acredito bastante na força do universo (acho que já perceberam), vejo que ele está a todo momento tentando nos dizer algo, porém na correria do dia acabamos deixando isso de lado. Estou vivendo um período onde tenho saido de mim todos os dias, é quando percebemos que o nosso interior está uma bagunça, não são  todos que conseguem se organizar na bagunça, por isso me dispus a isso, ouvir o vazio, o silêncio que nem sempre é vago (nunca é vago), como disse nosso querido Jauch em uma resposta ” Minutos de silêncio são sempre apreciados”, pode crêr, estou tentando todos os dias ser uma pessoa melhor, todos nós precisamos desse momento, independentemente das estrelas estarem alinhadas ou não. E quem sabe um dia eu ou você, ou todos nós faremos parte desse universo, além das nuvens, além da lógica.

O amor da modernidade líquida.

Estive estudando intensamente esses dias, do nascimento dos deuses à trigonometria, eu estive procurando em dicionários algumas respostas lógicas, verdade! Eu estive procurando em todos os lugares errados, mas como saber que estamos no lugar errado? Seria uma ilusão?
Todas essas perguntas me atormentavam toda vez que eu tentava encontrar uma resposta lógica.

Eu queria ser um positivista e acreditar que tudo pode ser explicado com a razão, porém descobri que tudo, tudo, exceto o amor pode ser explicado.
Seria ele uma idealização da nossa cabeça? Uma história inventada pela Disney? Um musical da Broadway? Bem que eu queria que fosse um musical da Broadway, amo cantar!
O amor é inexplicável, todavia a filosofia e a psicologia tentam exemplificar, respeitar pode ser uma forma de amar, confiar, suportar, superar, esperar, amar envolve tanta coisa, e por isso me arrisco a dizer que “amar é coisa de amador”, tentei resolver essa trigonometria a fim de me tornar um profissional, se esse pensamento fosse válido existiria milhões de pessoas querendo aprender matemática básica e trigonometria, vale a pena ser um amador?

Descobri que além da água o amor também é um solvente universal, o fragmentador! “tentando entender em quantas partes fui fragmentado”, amar não é um erro, esperar reciprocidade também não, confiar seria um erro? E agora o lance final, eu entendi porque alguns povos africanos evitavam falar demais, a palavra era sagrada, só podia ser dita com clareza,com certeza, e precisava soar de forma perfeita, as ações falavam mais, acho que aprendi com eles.

Qual a distância que existe entre o “oi” e o “eu te amo”? Qual a distância que existe entre o desejo e o amor?
Existem milhares de pessoas pronunciando essa frase, “eu te amo”, existem milhões de pessoas usando palavras como balas de canhão, mas eu escolhi usar minhas palavras de forma diferente, eu escolhi construir, por mais que o meu pote de decepções transborde, (já transbordou) eu acredito que no mundo existem pessoas capazes de ter amor próprio e ainda assim amar os outros, porquê… Um “eu te amo” cura, ele é o melhor remédio, possui algumas contra indicações, o uso indevido pode causar fortes danos.

Indicações
Livro – AMOR LIQUIDO (Zygmunt Bauman)

Jogue flores na intolerância “Geni e o Zepelim”

Essa canção foi composta e cantada pelo Chico Buarque (grande Chico Buarque), no ano de 1978, destinada a fazer parte do musical “Ópera do Malandro” relatando episódios ocorridos com Geni, segundo a história uma travesti que era diariamente hostilizada em sua comunidade. O mais impressionante é a relevância que essa música teve na época, a relevância que ela continua tendo nos dias atuais, podendo ser interpretada em diversos cenários! Quantas Geni’s existem pelo mundo afora? O Brasil é o país com a maior taxa de homicídio de Transgêneros segundo a organização (Transgender Europe), rede europeia de organizações que apoiam direitos da população transgênero, este é o momento em que nos damos conta de que as coisas realmente desandaram por aqui, mas isso não é novidade, isso parte de uma educação familiar, assim como vários outros problemas partem da educação, é a cultura do machismo, é o famoso “jeitinho”, claro que isso não é uma generalização.

Você pode ser a Geni, o garoto que sofre bullying na escola também, todos nós
estamos sujeitos a desaprovação, a hostilidade do mundo, o mundo todo é hostil, vejo que nos falta empatia, saber se por no lugar do outro, perceber as provas diárias que é preciso enfrentar, e por isso jogam pedra na Geni, um ódio gratuito.
Hoje é o dia Internacional de combate à homofobia, entretanto todos os dias poderiam ser de luta contra a hipocrisia, contra o egoísmo, contra as coisas que tornam qualquer ser humano menos humano. Esse post não foi feito no intuito de apontar culpados, não foi escrito para ser visto como um julgamento, longe de mim! É para ser visto como uma oportunidade de autoavaliação. Será que eu tenho feito a minha parte? Geni e o zepelim é uma obra eternizada em nosso acervo musical, porém vai além disto, ela é um dos retratos do mundo, pena que não é um retrato tão belo quanto a música.

Geni e o Zepelim

Ativismo?

O questionamento é uma das marcas registradas da juventude atual, o poder das redes sociais acaba tornando imponente, os movimentos populares, o apelo público em diversas áreas, isso é saudável, mas andamos em uma linha tênue, entre os questionamentos relevantes, e as opiniões sem fundamento. A falta de argumentos, a falta do bom senso, soam como uma luta obrigatória, sem razão, sem causas a serem defendidas, talvez pelo simples fato de parecer legal ser ativo no meio das questões sociais. Ok é legal, porém quando me proponho a defender uma causa, procuro estar cheio de munições, é como representar num teatro, eu preciso verdadeiramente me por no lugar das pessoas que são afetadas por qualquer que seja o motivo, de outra forma acabaria banalizando assuntos que precisam ser discutidos sim, porém a cima de tudo, respeitados. Um dia me perguntaram como um homem poderia ser feminista, e me dei conta de que às pessoas veem em causas como essa um estilo a ser seguido, eu sou homem, defendo o feminismo, mas para defender o feminismo ou qualquer causa em questão, precisaria seguir o estereótipo, o que pra mim mais parece marcas de uma sociedade que tenta se promover por meio de assuntos importantes, afinal “o ativismo se encontra em alta”, sendo assim devo reafirmar, como já ressaltado em um post anterior, a liberdade é um bem que requer responsabilidade, não adianta ter liberdade pra expor opiniões se elas não estão fundamentadas em argumentos sólidos.
Vamos usar melhor a nossa voz, para que atinja várias pessoas de forma positiva.

O ponto onde as coisas acabam.

As coisas não acabam quando realmente acabam, você não cansa do seu namoro de uma hora para outra, você não se afasta de amigo de uma hora para outra, você deixou de amar de uma forma inconsciente, você se afastou de uma forma inconsciente, acostumou com a mesmice, acostumou com a frieza, com as palavras duras, e por isso as coisas foram desgastando.
Alguém aí sabe o ponto onde as coisas começam a ter fim? E se você soubesse? Seria uma forma de evitar? É possível evitar?
Um dia desses percebi que existem várias coisas desgastadas ao meu redor e me veio esse pensamento, pensei também que isso poderia ser uma forma de defesa, uma forma de adaptação até a hora do “não”, “até mais”, “adeus”, para recordarmos os motivos que nos fizeram chegar ao fim, porém nunca o ponto onde elas começaram a terminar, até porque seria inútil.
Seria inútil evitar, visto que as coisas possuem um prazo de validade, no sentido de que estão predestinadas a serem “eternas” ou apenas um aprendizado, uma passagem. Para isso existe um remédio, talvez esse seja o momento em que o conformismo passa a fazer sentido, o tempo não é capaz de tornar as coisas eternas, logo você não pode, todavia, momentos podem ser eternos em sua memória, pelo menos enquanto respirar, guarde os momentos bons, entenda os momentos ruins, dê espaço ao novo.

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles

(Créditos na imagem destacada – Moletom)

Underground Brasil!

Vocês estão prontos? Eu não ouvi direito!
Hoje é terça, dia de vestir azul marinho e falar coisas sem nexo, vamos lá?

Não passe por aqui sem dar uma olhada no som desse moço, o Brasil possui uma “cultura alternativa” rica, prova disso são artistas como o Jaloo conquistando cada vez mais espaço no mundo da música. Seu estilo, e sua música inicialmente me causou um certo estranhamento, mas é um tipo de estranhamento que te faz querer entender, saber mais sobre, e como eu não sou de ficar perdido do rolê, baixei todas as músicas!
Atenção para o top 3 das músicas mais P***** do Jaloo. De Castanhal para o mundo!

3. Insight – Apesar de estar na terceira colocação da minha playlist,Insight é para mim “a música vencedora do carnaval de salvador 2017! ” Por que passei todo o verão com essa música no replay, é impossível enjoar, possui uma batida marcante, uma letra que mais parece um mix de sentimentos, vale a pena colocar no play do rolê!

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2. Ah! Dor! – Minha mãe levou um susto quando ouviu no meu despertador, o celular despertou às 4:00 da manhã. Ela se assustou não pelo fato do celular ter despertado tão cedo, mas por que a música tem elementos de técnico brega, e eu nunca me interessei por esse estilo até ouvi essa música, (obrigado por abrir minha mente Jaloo), a música é viciante, o refrão é daqueles que você continua ouvindo mesmo depois de dar pause, e o clipe traz toda uma estética conceitual que eu particularmente amei!

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1. Last dance – Ele com certeza estava pensando em mim quando escreveu essa música (boatos de que eu estava numa pior), claramente bebeu a mais e acabou se perdendo dos amigos e do “Miguezin”, inclusive fez questão de salientar que está devendo uns trocados para o Miguezin mas logo irá pagar. Daí relembra os rolês antigos, fica um pouco choroso, faz algumas firulas, encontra os amigos, e dança até amanhecer.

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Não sei vocês, mas eu ficarei aqui com minha pipoca esperando o novo disco, é legal enfatizar que ele produz as próprias músicas… Um gênio desses bicho!

Ditadura da beleza

Você já se sentiu fora dos padrões impressos pela indústria da beleza? O que você faria para ser aceito?

Esse é um dos assuntos que sempre estão em foco, até porque é um problema que gera outros problemas, no Brasil em média 8 a 10 pessoas morrem por ano em processos estéticos, sem contar aqueles que acabam sendo afetados psicologicamente. Será que esse problema está atrelado apenas ao que a mídia imprime?
Remoer o problema não é resolver, mas perceber o ponto de partida do mesmo é o passo inicial. A ideia de belo nos acompanha, assim como aprendemos a distinguir o bem e o mal, esse mecanismo é estimulado, e aí entra o apelo da mídia, aí entra a ideia de perfeição, é preciso ser magro, ter o cabelo liso, ter a roupa da moda, o ser humano tem a necessidade de ser acolhido de ser aceito, participar de um grupo, mesmo que inconsciente, nota-se de forma mais clara na adolescência, e são os adolescentes os mais afetados por esse problema. Problema que está diretamente ligado à doenças como Anorexia ( mais de 150 mil casos por ano no Brasil), Bulimia ( 2 milhões de casos por ano), nos apresentam números alarmantes, a ditadura existe, porém começa no consciente do próprio indivíduo, começa quando aceitamos o que é imposto, a ditadura é criada por pessoas como nós, e certas vezes, por nós, pode parecer clichê, mas é a mais pura verdade, é preciso se aceitar , é necessário um autoentendimento, e quando isso acontecer perceberemos que as diferenças existem para serem superadas, seja oque te faz bem, vista oque te deixa bem, não há nada de errado em ser quem você é.