Efeito borboleta

O tempo é cruel
Já pensava! Eu menino,
Sentado na janela de casa,
Em pleno céu, aos 8 anos.

Todos os minutos se foram,
Foram numa rapidez…
O tempo roubou tudo de mim,
Mas para onde o tempo levou tudo o que roubou?

Eu estive num sonho,
Correndo sob um mar de mortos,
Sim, eu andava sob as águas,
E era estranho ser menos denso que o mar…

Mas abaixo de mim estava
Tudo o que o tempo me roubou,
Eu duvidei, relutei,
E toda vez que relembrava,
Bem, minhas lembranças eram fardos tão pesados que me fizeram afundar,
Mais tarde, entendi que sou um fardo maior que as minhas lembranças.

Eu tive esperanças de encontrar
Aquele sonho de criança,
Aquele som perfeito que não cheguei em casa à tempo de registrar.

Eu tive esperanças de te reencontrar,
Que bobo eu sou, bobo pra caralho,
De pensar que o tempo te levou,
Quando na verdade você se deixou levar,
No mesmo dia em que prometeu ficar.

O tempo continua sendo cruel,
Roubando tudo de mim,
Deixando o pior que há,
Depositando fardos tão pesados que só me fazem afundar.

Eu também me deixo levar,
Eu estou aprendendo a me deixar levar,
E isso é mais cruel que o tempo,
Por que eu me tornei mais cruel que ele,
Eu me tornei o meu maior inimigo.

Mais uma vez fui idiota pra caralho,
Com aquela história de aprender a ser só,
Bem, agora eu preciso aprender a ficar,
E não me deixar levar,
Por que isso é cruel,
Eu estou me tornando mais cruel que ele,
Estou me tornando mais cruel que você.

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Submersão

Daqui vejo tudo,
Até mesmo o que há de vir,
Minha visão não é turva,
Eu já não ouço a minha voz,
É quase tudo inaudível…

É um estado pleno
Entre o ficar e ir,
Ficar, submerso
Enquanto os pensamentos se diluem
Ao chegar à tona,
Enquanto me poupo de uma guerra interna,
Me poupe da sua também!

Daqui é quase tudo mais certo
Há a certeza de que o mar me rejeitará,
Mais cedo ou mais tarde,
(Mais tarde),
Há a certeza de que tudo é vão,
Tudo é vão e se vai,
Ao subir à tona.

Eu fico!
Debaixo do Sol tudo é em vão
Sentimentos são efêmeros
Efêmeras são as palavras,
A pressão te desfaz,
Não confie em ninguém.

Daqui de dentro o sol é pouco,
O mar abriga o que não lhe convém!
Talvez esse seja o segredo,
O mar também tem esse jeito de fazer tudo parecer romântico.

Daqui de dentro o sol é pouco
E as correntes me levam para qualquer lugar,
Mas junto às preces feitas sob o mar, e o lixo acumulado no mais profundo,
Devo me fragmentar, devo pedir a Deus para que o caos que há debaixo do Sol, não desague no fundo do mar.

“Mãe, minha depressão é como uma metamorfose…”

Este não é o tipo de vídeo que surpreende no quesito “número de visualizações“, o que é uma pena, visto que seu conteúdo é de extrema relevância… Ele dispensa qualquer coisa que eu queira falar…

Mãe, minha depressão é como uma metamorfose, em um dia ela tão pequena quanto um vagalume na pata de um urso, e no próximo dia, é o urso. E nesses eu me finjo de morta até que o urso me deixe sozinha. Eu chamo os dias ruins de “dias sombrios”.

Minha mãe me diz: “Tente acender velas.”

Quando eu velo uma vela eu vejo o brilho de uma igreja, a terminação de uma chama, as faíscas de uma memória mais jovem que o meio dia. Eu estou de pé, ao lado do seu caixão aberto. É nesse momento que eu percebo que cada pessoa que eu conheci irá algum dia me deixar. Além disso, mãe. Eu não estou com medo do escuro, talvez isso seja parte do problema.

Minha mãe me diz: “Acho que o problema é que você não consegue levantar dessa cama!”

Eu não consigo, a ansiedade me mantém refém dentro da minha própria casa, dentro da minha própria mente.

Minha mãe me diz: “Da onde a ansiedade vem?”

Ansiedade é o primo de fora da cidade fazendo uma visita, que a depressão se sentiu obrigada a levar para a festa. Mãe, eu sou a festa, só que eu sou uma festa que eu não quero ser, uma festa na qual eu não quero estar.

Minha mãe me diz: “Por que você não vai à uma festa de verdade ver seus amigos?”

Claro! Eu faço planos, eu faço planos mas eu não quero ir, eu faço planos porque sei que eu deveria querer ir, eu faço planos pois sei que algumas vezes gostaria de ter ido, é que simplesmente não é muito legal se divertir quando você não quer se divertir, mãe!

Sabe, mãe, toda noite a insônia me pega em seus braços e me larga na cozinha, no tênue brilho da luz do fogão. A insônia tem esse jeito romântico de fazer a lua parecer uma perfeita companhia.

Minha mãe me diz: “Tente contar ovelhas.”

Mas minha mente só consegue contar razões para continuar acordada. Então eu saio para caminhar, meus joelhos disfêmicos fazem “clack” como colheres de prata seguradas em braços fortes com pulsos frouxos. Eles tocaram minha cabeça como desajeitados sinos de igreja. Me lembrando que estou sonambulando em um oceano de felicidade no qual eu não posso me batizar.

Minha mãe diz que: “Ser feliz é uma decisão.”

Mas minha felicidade é mais oca do que um ovo furado por uma taxinha. Minha felicidade é como uma febre fervente, que a qualquer momento pode estourar.

Minha mãe me diz que: “Eu sou tão boa em fazer algo do nada.” E depois na cara dura me pergunta se eu não tenho medo de morrer. Não, eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo de viver. Mãe, eu sou sozinha. Acho que aprendi, quando o papai foi embora, a transformar a raiva em solidão, e a solidão em ocupação. Então quando eu te digo que tenho estado super ocupada, na verdade eu quero dizer que tenho caído no sono assistindo o jornal esportivo no sofa para evitar confrontar o espaço vazio na minha cama, mas sempre acabo sendo arrastada de volta para ela. Até que meus ossos sejam os fósseis esquecidos de uma cidade esquelética afundada e minha boca um cemitério de dentes quebrados de tanto morder a si mesmos. O auditório vazio de meu peito com esses ecos de batidas do coração. Mas eu sou apenas uma turista descuidada agora, eu nunca vou verdadeiramente sabem de todos os lugares em que estive.

Minha mãe ainda não entende. Mãe, voce não consegue perceber que eu também não?

Desconstrução

Eu não me vejo na palavra
Eu não me vejo nas entre linhas
Eu não me vejo em tanto lugar.

Acabo por tentar encontrar
Algum lugar para repousar
Eu que tanto me desencontro
Desconfiguro meu rosto, minha alma,
Aprenderei a encontrar minha face no espelho em que se perdeu?

Me resta criar um rosto simétrico,
Uma alma pura, um bom coração,
Tudo se perdeu na desconstrução,
A mais dolorosa que pude presenciar,
Silenciosa e constante,
Tão dolorosa quanto o último dia do céu de abril,
O mesmo dia em que você fez o melhor por mim, apenas por que foi o melhor para você.

Eu me vi a um tempo atrás,
No ponto de ônibus,
Na porta aberta,
Nos beijos,
Na falta,
Nas lágrimas,
Saudade,
Eu tive!
Não sei.
Nunca saberei, nem porquê precisei dizer adeus,
Nem porquê isso soa tão cruel.

Eu precisei partir, e correr atrás de mim
Eu me perdi totalmente, me dissolvi totalmente,
E não há nada que você saiba sobre o que há de novo aqui.

Não aprendi a esquecer,
Mas aprendi a ser só!
Foi uma grande vitória sobre mim,
Porém sou programado para lembrar,
E então eu lembro
Eu lembro de tudo,
Do sim,
Do não,
Eu lembro de tudo mesmo sendo uma nova versão de mim.

Saudade

É tudo sobre, tudo sobre a saudade,
A saudade nunca é coadjuvante, ela faz de tudo para ser o centro, e é!
A saudade fragmenta
“É amiga das horas”
“É prima irmã do tempo”

É tudo sobre a falta, e sobre o que ficou para trás, deveria estar atrás
É tão presente, é agora (in) felizmente, passou, mas a ferida, “a ferida às vezes nunca sara”
A saudade é inimiga da razão
E nós ficamos aflitos pedindo que a saudade faça as pazes com a razão
E permita que ela seja o peso nas nossas decisões.

Escorre entre os dedos, mas de fluida não tem nada, “a saudade não é um sentimento abstrato”, desafia sua classificação, a saudade é uma visita indesejada, eu a conheço!
É uma festa da qual eu não queria fazer parte, eu sou essa festa, e quanto mais peço para que se retirem da porra da festa,
Mas permanecem.

“A saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”
Ela se releva, se completa…
Efêmera, caralho!
Hoje sinto saudades de quem eu era, antes de ser e permanecer na festa.

Abril…

Nem tudo esteve ao nosso favor
Não tivemos girassóis no fim do ano
Quase não houve verão, eu estive aqui o tempo todo, ouvindo a travessia.

Mas a travessia foi longa, eu quis velar seu sono sem saber que o tempo não me esperaria, na verdade ele não te esperou,
Será que te devo desculpas?

Devo, estranho bom, devo dizer que foi uma honra aprender a ser só mesmo estando com você! Isso fez sentido durante um tempo, você me fez bem pra caralho, mas de tanto tentar aprender a ser só, esqueci que quando se aprende não há como desaprender.

Agora deixarei mais uma vez o mar me envolver, sem mágoas e feridas para cicatrizar, exceto aquelas que você conhece bem, e elas estiveram estampadas por toda parte de mim, todo esse tempo, todos esses anos… Eu precisava me cuidar e eu preciso! Eu ainda preciso.

Qualquer dia desses, qualquer abril desses, voltarei com ou sem alinhamento de estrelas, e eu espero que não se alinhem, eu só espero que brilhem, brilhem todos os dias da minha e da sua vida.

Conjugação

Já amei, amei flores, para ser específico nenúfares azuis,
Já amei cores, uma paleta inteira.
Conjuguei em alguns idiomas o verbo amar, isso é cansativo, puta cansativo.
Já amei entre linhas, projeções, personagens,
Amando e amando, conjugando sem saber o significado do verbo, sem saber o que é para ser, nós sabemos bem que nunca é o que pensamos.

Já amei melodias, texturas,
falando em texturas, tenho um crush eterno por plastico bolha,
e quem não?
Vivo de me apaixonar por coisas aleatórias,
Eu sou uma coisa aleatória, porém nunca soube me apaixonar pela minha projeção, é uma vitória e uma derrota simultânea.
Já amei meninos e meninas,
Já falei em praça pública sobre amor, que cafona eu sou,
(Uma máquina de vexames), mas as pessoas precisam saber que o verbo amar não cabe em rótulos.
Amando e amando, conjugando sem saber o significado do verbo, do que adianta conjugar em vários idiomas uma palavra sem sentido?

Já amei, e de tanto amar desamei,
Desamar aos 20 anos é um caos,
Desamar nunca é uma opção voluntária.
Você sabe conjugar? Tem certeza?
Veja eu, já amei tanta coisa aleatória e só agora aprendi a conjugar direito.

“Eu me amo
Eu me amo
Eu me amo
Eu te amo
Você me ama
Nós nos amamos. ”