Poemas Visuais – SUBMERSÃO

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EU

Existe algo que não nos falam sobre os limites, na verdade, a liberdade pode ser tão perigosa quanto, os limites não são completos vilões, existe um viés mau em tudo o que há debaixo do sol, existe um limite na liberdade, isso pode parecer desconfortante, mas é melhor que seja assim. Limitar também pode ser uma forma de dizer “Eu te amo”, eu e eu mesmo, por não saber dimensionar a quantidade de amor próprio existente aqui, decidimos nos limitar a escavar desde a crosta mais superficial à superfície da alma, até encontrar esse amor que se esconde na camada profunda, e eu só sei que o mesmo existe, quando ouço uma voz limitante dizendo não a todos os meus comandos tóxicos, todos os limites existentes em meu corpo espiritual me freiam de uma maneira trapaceira, mas eu entendo que essa é apenas uma forma de dizer, “Você deveria cuidar melhor de mim”, e eu entendo que eu deveria cuidar melhor da minha casa, eu entendo que nenhuma beleza pode e deve ser maior que a minha saúde física e mental.
Eu e eu mesmo, decidimos de um jeito meio egoísta, que é hora de dizer não por conta própria, e isso não é uma história sobre ser forte, independente, e suficiente para ninguém, essa é uma história sobre saúde, perdão, conhecimento, e construção, e você sabe que construções podem demorar anos, algumas construções nem são finalizadas. Eu e eu mesmo, entendemos, e precisamos cuidar do nosso corpo físico e espiritual, precisamos ser mais honestos com quem somos, com quem nos tornamos, e o precisar é inevitável, indecifrável, quando visto de longe, o precisar é particular, egoísta, e preciso! O “precisar” é a manifestação dos limites, é uma manifestação involuntária de amor, de você, por você mesmo.

Fim… A história de Norma Jeane Mortenson, e o seu curioso jeito de fazer um garoto idiota parecer um homem fascinante.

E voltou, no derradeiro show, com dez poemas e um buquê, como na história de lily braun,
E eu juro que nunca me senti tão idiota
Quando me vi enxugando um par de lágrimas no dia em que fez valer o seu último acorde por aqui,
E você tinha esse jeito de dizer que iria ficar tudo bem e essa é a regra do show business,
Mesmo que não estivesse aqui,
Mesmo que estivesse em outros musicais,
Mesmo que tocasse a minha canção de ninar para a sua mais nova garota preferida,
Enquanto a Marilyn estivesse em mim,
E observasse da coxia a revoada de caras engravatados esperando pelo seu show,
Eu olharia no espelho e me obrigaria a ser irracional.
A Marilyn vivia para os aplausos,
Ela nasceu para as câmeras e olhares,
A Norma era só uma garota morena que te encarava fascinada,
Com a sua forma de dedilhar e machucar suas feridas inevitavelmente, meu caro,
Você tem os olhos do James Dean, mas não enxerga o que nos é necessário,
Todos esses caras, e todos esses shows, e todos esses drinks…
Entendo que é real no fim do dia, é um veneno,
Quando não há mais batons vermelhos, meia calça, salto alto,
Enquanto eles me chamam de Marilyn, e aplaudem o último espetáculo,
Eu repito em alto e bom som, que não desejo a droga dos aplausos quando sou apenas a Norma,
Seu nome ecoa, o loop é eterno,
E eu não me perdoo por não ter sido a Marilyn que você queria em seu musical sobre coleções de pessoas, e incompatibilidade,
Eu acabei confundido tudo,
Eu acabei te tornando mais especial que o necessário
E é estranho falar sobre isso,
Eu não passo de uma interprete aspirante à Hollywood,
E você é o cara do piano e das guitarras distorcidas,
Enquanto repito olhando nos seus olhos,
Você repete irritantemente o quanto a Marilyn é talentosa,
O quanto os caras engravatados dariam tudo para tela em seus carros importados,
O quão incrível sou quando não falo sobre amor,
Ou canto “Happy birthday” para o J.Kennedy,
O quanto a Norma é idiota por tentar chamar a sua atenção…
Não entende que ela sou eu?
Sou eu sem todos os truques para te entreter.
Sou eu sem o meu vestido branco esvoaçante,
O que me fez pensar que você seria o único cara deste lugar com quem viajaria para Coney Island no verão…
Enquanto eles estão por mim, uma garota idiota com o cabelo tingido de loiro,
Eu estou por você,
Que nem sabe o meu nome,
E nem sabe quem sou,
E nem sabe que a Marilyn é a Norma.
Eu enxuguei as lágrimas, e sabia que aquelas seriam as suas últimas palavras,
Mas não chorei porque aquela seria a última vez que te abraçaria antes de descer as escadarias,
Eu chorei porque você nunca esteve aqui,
Mas saiba que eu sempre estive aí.

Insignificante… O tango de Nancy e o drama de nunca ter sido eleita a garota do fantástico.

Eu nunca fui a Priscila Presley,
Logo, nunca fui a rainha da beleza,
Nunca me casei com o cara descolado do rock,
Nunca tive uma música só para mim,
Eu nunca tive o cabelo armado quando a moda era ter o cabelo armado e uma tiara de debutante,
Eu nunca fui eleita a garota do fantástico,
Nunca fui convidada para as festinhas do colegial,
Nunca tive um cd do Rouge,
Eu nunca fui a própria festa no celular de flip de um adolescente tarado nos anos 2000,
Eu nunca fui a opção número um,
Muito menos dei beijos longos nas chuvas de verão,
No sol das tardes das quintas de agosto…
Eu nunca fui a garota sarada da academia,
Ou a musa do biquíni branco com as unhas pontudas pintadas de vermelho e cílios postiços gigantes,
Eu nunca fui o que todos esperavam de mim,
Eu nunca quis ter filhos,
Muito menos um marido,
Eu já até acreditei no amor,
E no quanto ele poderia ser bonito,
Quando visto de longe, eu amei uma vez,
Eu nunca fui o amor da minha vida,
E “Quem sou eu para falar de amor? Se de tanto me entregar, nunca fui minha…”,
Eu nunca fui o estereótipo presente em minha cabeça,
Visto como a minha única e suprema obrigação,
Parecer atraente para que alguém me diga “oi, tudo bem? ” Com segundas intenções,
Todos soam ao contrario,
Feito sinos desajustados, e eu me sinto uma louca à flor da pele, visto que não faço parte desse lugar,
“Se você não for a garota do fantástico, provavelmente ninguém nunca irá te amar”
E foda-se,os sinos desajustados não contam com a astúcia do tempo,
Os anos passam, a Priscila já não é tão bela
A gostosa da academia nem é tão gostosa assim,
A Ana Júlia, deixou de ser “Sempre tão linda”,
E o camelo resolveu cantar sobre “Janta” com a Mallu Magalhães,
Os carinhas do colegial vivem fissurados em sites pornográficos e baralhos, com suas barrigas de Chopp,
Celulares de flip não são mais tendência,
E não se ouve ”o tango de Nancy “ em paredões,
Nem tão pouco cds com cheiro de morango.
Os sinos desajustados esqueceram de mim, e essa foi a única vantagem de ser insignificante,
Quando estive vivendo sem me preocupar se alguém algum dia me amaria,
Mesmo não tendo sido eleita “A garota do fantástico”,
E toda essa procura por algo que tanto faz, esteve me matando aos poucos.
Os sinos desajustados nem são mais sinos,
São caixas e mais caixas de pessoas empilhadas em uma estante,
Separadas classes por classes, esteriótipos por esteriótipos, beleza vs feiura,
Com suas capas exuberantes e seus interiores imundos,
Esperando a vez de parecerem apresentáveis.

Insuficiente… O narcisismo é o manifesto egoísta da solidão, e o desamor é inerente ao homem.

Engano se a vida é uma história sobre pertencer…
Pertencer à parcela “salva” que prega o amor de Deus,
Pertencer ao grupo de tolos que ferem em nome do mesmo,
Ser o cara que todas as meninas e meninos ficariam,
Parecer, ser e ter, ter o que o tempo leva,
Ter o que de cara é fluído,
E ser julgado por talvez não ser o suficiente…
Eu não sou!
Eu estive escrevendo uma história sobre suficiência
Tentando a todo custo,
Ser,
Pertencer,
Parecer,
Me banhando num oceano de felicidade instantânea,
Despejando toda a droga do meu amor de merda gota a gota num recipiente sem fundo,
Eu estive me sentido um lixo,
Estou em segredo,
Eu estive me moldando tantas vezes,
E nesse processo de escrita me permiti ser quebrado um milhão de vezes,
Vez ou outra diante do espelho, “Os homens e seus espelhos mágicos”
Desculpa por todas as vezes que esqueci de me amar para amar os outros.
Se amar é uma tarefa tão difícil quanto se imagina,
Se amar é trigonometria,
Começar do zero todas as vezes em que alguém te fere,
Nem sempre é fácil começar do zero, na verdade, nunca é fácil começar do zero,
É o momento em que ninguém me escuta, e eu pareço mudo, mesmo estando em uma guerra travada contra mim mesmo…
Nessa história sobre pertencimento, eu entendo que talvez não pertença a lugar nenhum,
E as minhas verdades se chocam com as verdades de outros serem vivos
Que talvez estejam em uma guerra travada,
Que talvez não pertençam a lugar algum,
E talvez não sejam o suficiente para ninguém…
No fim do dia é muito mais difícil recordar os motivos para continuar,
E não há nada de errado em desmoronar,
“É por isso que Deus ou sei lá quem criou novos dias…”
Ele sabia o quanto eu ou você ficaria triste na terça,
E talvez na quarta, e talvez na quinta,
Ou talvez toda essa droga seja irreparável,
A obrigação de ser e ter está impregnada em mim e em você,
Como o narcisismo inerente ao homem,
Como a falta de virtude inerente ao homem,
A estupidez inerente ao o homem,
O desamor inerente ao homem.
O narcisismo é o manifesto egoísta da solidão,
Que por sua vez, “amiga das horas, prima irmã do tempo,
Faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração, ”
No momento em que percebo que não sou suficiente para mim,
Entendo que seria inútil ser suficiente para você…
Na vida só resta seguir,
Sendo,
Pertencendo,
Ou não.

Créditos na imagem – Notas Visuais
Texto por, Essandro Gabriel,Drica Neri.

Rotina

Rotina é tudo além do tédio,
O tédio é seu primo irmão,
E no auge da sua bondade,
A mesma se sente obrigada a convida-lo
Para jantar em sua casa,
E não há não.

O tédio não é nada conveniente,
Eu o conheço, e ele jura que nós somos amigos,
Não sabe o quanto me diverti em suas costas, semana passada,
Na saída de emergência!

Ele viola sua porta,
Entra sem pedir licença,
Não tira os sapatos,
Suja o seu tapete felpudo,
Recolhe todas as suas pantufas com estampas de capivara do meio da casa,
Apenas porque a rotina faz com ele se sinta à vontade, visto que é de casa!

A rotina não se importa com o que está em jogo,
Pouco importa se você está cansado demais,
Pouco importa se os seus ombros doem,
Pouco importa se pessoas estupidas te cercam,
Pouco importa,
Pouco importa se você tem uma prova difícil na manhã seguinte.

A rotina é tão cruel quanto o tédio,
Enquanto o tédio é a repetição de movimentos automáticos, a rotina é a lesão por esforço repetitivo,
Não me deixa em paz,
Por mais que o meu remédio para dormir seja forte demais,
Por mais que eu tente fugir da repetição do ciclo diário, de palavras, ações, e pessoas que me feriram.
Não há remédio para memórias,
A rotina é a própria memória em um loop eterno!

Sentei!
O tédio me convenceu de que eu era lunático por ter acreditado no amor,
A rotina olhou nos meus olhos e disse que eu era uma pessoa maravilhosa, entretanto partiu levando tudo de bom que havia dentro de mim…

“Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha”

A rotina foi a única pessoa q amei a vida inteira,
O tédio era um estranho bom, até entender que não se deve confiar em estranhos,
A rotina, velas da babilônia cuja magia não levava a lugar algum,
O tédio, me fazia voar com as asas de Ícaro,
O cansaço físico proporcionado por ambos,
Não é nada comparado ao cansaço espiritual.

“Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima…” DA CAPO.

Sinopse

Não há nada além da capa que me cobre
Nem mesmo um sorriso falso no canto dos lábios,
Há um livro cujas melhores páginas
Cheiram a borra de café e os meus parágrafos preferidos se fragmentam com o tempo,
Eu lembro quase que perfeitamente, do dia em que um estranho derramou café naquela porra, e pareceu ser proposital,
Sim, foi proposital.

Não há nada além da capa que me cobre,
Não há nada que te fixe em mim
E eu agradeço ao universo por te levar, simultaneamente sinto a sua falta,
Ainda que tristonho, por não poder te confundir todos os dias, te ludibriar com o meu ar persuasivo,
Eu já não quero saber a distância existente entre o céu e o firmamento,
E sigo em lhe dizer que na minha ciência isto soa indecodifiável,

Eu costumava ser lindo de dentro para fora, assim como o meu suéter preferido
costumava estar bem tecido, porém tu não me verá vestido nem ao avesso,
Apesar de saber que as vezes essa é a minha real vontade, não adianta poupar minhas palavras na intenção de te convencer,
Você foi o “alfabetizado” mais analfabeto que já leu esta porra,
E eu sigo, em qualquer estante,
Esperando novas pessoas serem alfabetizadas, para lerem todas as merdas que impregnaram em mim.

Talvez seja isso que tenha a lhe oferecer,
O refresco à sua memória curta,
O alívio por saber que as suas marcas continuam estampadas em
Minhas linhas, enquanto devo me mostrar amargamente arrependido por te deixar folhear e remendar palavras e frases que me decodificavam, com mais de cinco linhas fodidas.

A você que me enxergou além da capa que me cobre,
Que folheou ainda que sem entender nada, esperou pelo “the end” que demorou a chegar,
“Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou. Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nessa vida muita gente me olhou depressa demais.”