Submundo

Para todos os pássaros do meu paraíso que assim como eu nunca puderam voar à noite pois foram pegos em seus esconderijos, que tiveram suas asas cortadas e todos os sentimentos desmerecidos, que voaram em meio à tempestade, que se apaixonaram e esconderam suas feridas até que se tornassem cicatrizes, que falaram “eu te amo” em uma rádio colegial, que acreditaram na bondade de estranhos, que aprenderam a se amar aos 80 anos, numa imensidão de céu nublado, pois acreditaram que suas penas pretas eram sinal de má sorte, que foram vaiados aos 6 anos em praça pública, que foram destruídos milhões de vezes por profetas apocalípticos que ofereciam asas brancas como as de Ícaro, que despencaram do céu no penúltimo dia de abril após acenderem velas da Babilônia, e viram suas vulnerabilidades expostas em outdoors pelas pessoas que mais amavam, e perceberam que as pessoas que mais amavam eram tão estúpidas quanto os meros profetas apocalípticos, que perderam a visão, e por isso conseguiram enxergar o sobrenatural, que se doaram ao ponto de não refletir no espelho, e choraram… Uma, duas, três noites inteiras numa prateleira, e viram cada gota de amor despejada no chão, que sonharam, e cantaram, e dançaram, e se jogaram na vida, embriagados, nus, na beira da estrada, ouvindo Belchior, Rita lee, e foram submetidos à ultraviolência, e foram roubados assim como tiveram todos os seus brinquedos roubados na infância, e foram roubados assim como roubaram a minha infância, numa ilha cercada de pedras e “pessoas perfeitas”, e foram roubados assim como roubaram minha voz, numa ilha cercada de pedras e “pessoas perfeitas”, e se tornaram fortes ao mostrarem todas as suas cicatrizes, que mais tarde foram ofuscadas pela beleza das suas penas pretas, pela beleza do canto que ecoava até o submundo, e era lá que os entendiam, e era lá onde os amavam.

Vivendo

Esse é o lado mais vulnerável de mim,

A rota do vento…

Hipsters de cabeça feita

Mestres de guerra

Amantes da noite,

Com suas jaquetas e motocicletas,

Com os seus cigarros sujos,

Com os seus amores, e seus poetas

Ensaiando uma nova forma de dizer,

Dizer o que te disse copiosamente

Com minhas unhas pintadas de preto,

Com o meu cabelo feito nuvem carregada,

Com os meus livros clássicos intocáveis,

Com suas palavras apontadas

Feito um revolver na minha cara

Na estrada velha

Na rota do vento

Foi a primeira vez que cantei sem medo,

“Estou apaixonado por tudo em você”,

Com todas as palavras que nunca ousei escrever,

Observando o meu reflexo no espelho do retrovisor,

Me atirando em festas nas quais nunca fui convidado,

Recusando o convite dos céus,

E vivendo todos os beijos como se fossem dias e mais dias insanos,

E me quebrando em todas as festas como se fossem dias e mais dias insanos,

Com flores venenosas nos cabelos,

Moribundo,

Vivendo do amor, paixão

Vivendo da dor, paixão

Vivendo sem saber a fórmula,

Descobrindo que o amor também dói,

Me encantando por palavras bonitas,

Vivendo e me libertando da sede 

Devastadora pela liberdade,

Vivendo e obedecendo a todos os impulsos primitivos,

Glamourizando cada lágrima que escorre em meus olhos sem passar pela superficialidade,

Porque meu corpo é a verdade em todas as suas formas, 

Meu corpo é a verdade em todas as suas falhas,

Meu corpo é a casa onde sempre quis morar,

Proibido,

Caótico,

A costa mais profana,

Linhas brancas,

Pesadelos despertos,

Amor e som,

Pensar e sentir

“Grandes amigos”

Olá summer, desculpa por quebrar a rotina postando algo totalmente aleatório, mas veja pelo lado bom, eu estou postando algo, mesmo que contraditório, visto que há alguns meses escrevi um post sobre o meu descontentamento com a rotina, e o quanto ri nas escadas de emergência da casa de vó B quando ” A mesma jurou que éramos amigos”, e eu deveria te atualizar e dizer que nos tornamos grandes amigos nesses últimos dias! A propósito, conheço uma menina que ama os seus posts, e também jura que somos grandes amigos, não gosto muito dela, mas até que ela tem um bom gosto, ou talvez não… Bjos! Espero que esteja se cuidando, lavando as mãos e usando máscaras com estampas de capivara!

Fim… A história de Norma Jeane Mortenson, e o seu curioso jeito de fazer um garoto idiota parecer um homem fascinante.

E voltou no derradeiro show com dez poemas e um buquê, como na história de Lily Braun, e eu juro que nunca me senti tão idiota quando me vi enxugando um par de lágrimas no dia em que fez valer o seu último acorde por aqui,
E você tinha esse jeito de dizer que iria ficar tudo bem e essa é a regra do show business,
Mesmo que não estivesse aqui,
Mesmo que estivesse em outros musicais,
Mesmo que tocasse a minha canção de ninar para a sua nova garota preferida,
Enquanto a Marilyn estivesse em mim,
E observasse da coxia a revoada de caras engravatados esperando pelo seu show,
Eu olharia no espelho e me obrigaria a ser irracional.
A Marilyn vivia para os aplausos,
Ela nasceu para as câmeras e olhares,
A Norma era só uma garota morena que te encarava fascinada,
Com a sua forma de dedilhar e machucar suas feridas inevitavelmente,
Todos esses caras, e todos esses shows, e todos esses drinks…
Entendo que é real no fim do dia, é um veneno,
Quando não há mais batons vermelhos, meia calça, salto alto,
Enquanto eles me chamam de Marilyn, e aplaudem o último espetáculo,
Eu não os desejo quando sou apenas a Norma,
Seu nome ecoa, o loop é eterno,
E eu não me perdoo por não ter sido a Marilyn que você queria em seu musical sobre coleções de pessoas, e incompatibilidade,
Eu acabei confundido tudo,
Eu acabei te tornando mais especial que o necessário
E é estranho falar sobre isso,
Eu não passo de uma interprete aspirante à Hollywood,
E você é o cara do piano e das guitarras distorcidas,
Enquanto repito olhando nos seus olhos,
Você repete irritantemente o quanto a Marilyn é talentosa,
O quanto os caras engravatados dariam tudo para tela em seus carros importados,
O quão incrível sou quando não falo sobre amor,
Ou canto “Happy birthday” para o J.Kennedy,
O quanto a Norma é idiota por tentar chamar a sua atenção…
Não entende que ela sou eu?
Sou eu sem todos os truques para te entreter.
Sou eu sem o meu vestido branco esvoaçante,
O que me fez pensar que você seria o único cara deste lugar com quem viajaria para Coney Island no verão…
Enquanto eles estão por mim, uma garota com o cabelo tingido de loiro,
Eu estou por você,
Que nem sabe o meu nome,
E nem sabe quem sou,
E nem sabe que a Marilyn Monroe é a Norma Jeane.
Eu enxuguei as lágrimas, e sabia que aquelas seriam as suas últimas palavras,
Mas não chorei porque aquela seria a última vez que te abraçaria antes de descer as escadarias,
Eu chorei porque você nunca esteve aqui,
Mas saiba que eu sempre estive aí.

Emendando um Soneto – Sosígenes Costa

Eu matei meu amor e foi bom que o matasse,
Meu amor era um lírio, e eu não gosto de lírio.
Se ele fosse a madona, eu talvez me casasse,
Para o amor me adorar e eu gozar-lhe o delírio.

Eu matei meu amor sem beijá-lo na face.
Meu amor era um lírio e eu não gosto de lírio.
Se ele fosse o meu anjo, eu talvez me casasse
Para vê-lo fumando e descendo do empíreo.

Ninguém sabe quem foi o amor que matei.

Era o anjo da morte?Era a filha de um rei?
Este crime é um mistério… e é bonito o mistério.

Este segredo azul pus num cofre sidério
Mas em suma eu fiz bem em matar meu amor,
Porquanto ele era um lírio e eu não sou beija-flor.

Submersão

Daqui vejo tudo,
Até mesmo o que há de vir,
Minha visão não é turva,
Eu já não ouço a minha voz,
É quase tudo inaudível…

É um estado pleno
Entre o ficar e ir,
Ficar, submerso
Enquanto os pensamentos se diluem
Ao chegar à tona,
Enquanto me poupo da minha guerra interna…

Daqui é quase tudo mais certo
Há a certeza de que o mar me rejeitará,
Mais cedo ou mais tarde,
(Mais tarde),
Há a certeza de que tudo é vão,
Tudo é vão e se vai,
Ao vir à tona.

Eu fico!
Debaixo do Sol tudo é em vão
Sentimentos são efêmeros
Efêmeras são as palavras,
A pressão te desfaz,
Não confie em ninguém.

Daqui de dentro o sol é pouco,
O mar abriga o que não lhe convém!
Talvez esse seja o segredo,
O mar também tem esse jeito de fazer tudo parecer romântico.

Saudade

É tudo sobre a saudade,
A saudade nunca foi coadjuvante, ela faz de tudo para ser a figura central , e é!
fragmenta…

É tudo sobre a falta, e sobre o que ficou para trás, deveria estar atrás,
É tão presente, é agora! (in) felizmente, passou, mas a ferida, ha! “A ferida às vezes nunca sara”

“A saudade não é um substantivo abstrato”, desafia a sua classificação gramatical, a saudade é uma visita indesejada, eu a conheço! É uma festa da qual eu não queria fazer parte.

“A saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”
Hoje sinto saudades de quem eu era, antes de ser e permanecer na festa.

Abril…

Nem tudo esteve ao nosso favor
Não tivemos girassóis no fim do ano
Quase não houve verão, eu estive aqui todo o tempo.

Mas a travessia foi longa, eu quis velar seu sono sem saber que o tempo não me esperaria, na verdade ele não te esperou,
Será que te devo desculpas?

Devo, estranho bom, devo dizer que foi uma honra aprender a ser só mesmo estando com você! Isso fez sentido durante um tempo, você me fez bem pra caralho, mas de tanto tentar aprender a ser só, esqueci que quando se aprende não há como desaprender.

Agora deixarei mais uma vez o mar me envolver, sem mágoas e feridas para cicatrizar, exceto aquelas que você conhece bem, e elas estiveram estampadas por toda parte de mim, todo esse tempo, todos esses anos… Eu precisava me cuidar, e eu preciso! Eu ainda preciso.